| Dica
17/09/07
Proteína
da gardênia pode virar droga contra diabetes
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Um
trabalho unindo biologia molecular avançada
e medicina tradicional chinesa resultou em uma
descoberta que pode render uma droga contra o
diabetes tipo 2.
Pesquisadores
da Escola Médica de Harvard, nos EUA, e
da Universidade de Nanquim, na China, encontraram
em frutos da planta da gardênia uma proteína
que promove a produção de insulina.
A genipina, molécula encontrada no vegetal,
atua bloqueando a enzima UCP2, que normalmente
inibe a atividade das chamadas células
beta, as produtoras de insulina no pâncreas.
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A
falta desse hormônio é o que causa excesso
de glicose no sangue e outros sintomas de diabetes.
A proteína foi testada com sucesso em células
pancreáticas cultivadas em laboratório
e já despertou o interesse de laboratórios
de companhias farmacêuticas. Segundo os pesquisadores
de Harvard, antes de alguém investir em testes
com animais e humanos, é preciso provar a segurança
da molécula. A genipina tem propriedades químicas
que ainda precisam ser estudadas, mas as perspectivas
são boas. "Bolamos alguns testes para ver
se essas propriedades eram requisitos para a droga inibir
a UCP2 e descobrimos que elas não são
necessárias, o que é bom", disse
Bradford Lowell, líder da pesquisa em Harvard.
"Isso significa que poderiam ser feitas versões
mais específicas da genipina contendo apenas
as propriedades desejadas para tratar diabetes”.
Lowell conta que, para isolar a molécula, a ajuda
do grupo de Chen-Yu Zhang, um especialista em medicina
tradicional chinesa, foi fundamental.
Para encontrar uma droga
com propriedades desejadas, pesquisadores de empresas
farmacêuticas normalmente fazem ensaios clínicos
in vitro automatizados com incontáveis compostos
até encontrar aquele com a propriedade desejada.
Lowell, porém, não teve como usar uma
abordagem tão direta.
Ajuda
da China
Uma vez que, além
de encontrar a propriedade desejada, Lowel queria também
saber se a proteína atuava por meio da inibição
de UCP2, era preciso fazer um ensaio clínico
paralelo. Para isso foram usados camundongos geneticamente
alterados para não produzir UCP2, mas o estudo
acabou ficando complicado demais. "Dada a natureza
desse ensaio, não teríamos como testar
milhares e milhares de compostos, então decidimos
fazer uma varredura em um número menor de extratos
vindos de fontes naturais", conta Lowell. “Aí
que Zhang entrou no nosso trabalho, com seu conhecimento
de medicina tradicional chinesa. Ele obteve alguns extratos
de diferentes fontes e começamos os trabalhos.”
A genipina foi isolada de uma variedade oriental da
gardênia, a Gardenia jasminoides, uma das cerca
de 250 espécies descritas do vegetal.
Apesar de ter descoberto
um composto promissor para tratar diabetes tipo 2, Lowell
procurava primeiramente uma droga para fins científicos.
"Somos um laboratório de pesquisa básica,
não uma empresa farmacêutica", diz.
A genipina deve se tornar uma ferramenta útil
para estudar o funcionamento das mitocôndrias,
organelas celulares responsáveis por processar
energia.
Lowell e Zhang descrevem
o achado na edição atual do periódico
científico "Cell Metabolism".
Fonte:
Science
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