| Dica
11/10/07
Formigas
Carnívoras
A
Dinoponera gigantea e a Dinoponera australis são
duas espécies de formigas carnívoras “gigantes”
do tamanho de um palito de fósforo conhecidas
como tocandira ou formiga-carnívora-gigante,
elas são pretas e têm um potente ferrão
que injeta um líquido mortal em suas presas.
As vítimas são baratas, besouros e até
pequenos lagartos.
As
duas espécies são brasileiras e são
consideradas as maiores formigas-operárias do
mundo. Formigas-operárias são as que só
trabalham em benefício do formigueiro, estão
sempre em atividade e jamais se reproduzem.
O
grupo de Dinoponera gigantea (que tem mais de 3 cm)
veio do Maranhão para ser estudado por biólogos
no Museu de Zoologia de São Paulo. O grupo de
D. australis (pouco menor do que a maranhense) foi coletado
no interior de São Paulo.
De
acordo com biólogos, do Museu de Zoologia, as
formigas-gigantes só atacam quando incomodadas.
Porém, seu veneno é mortal para animais
de pequeno porte (a picada de uma delas pode matar um
rato). Algumas vezes, esse veneno pode ser fatal para
o homem também, se a pessoa picada for alérgica,
já outras podem nem sentir a picada. Ao contrário
das outras espécies de formigas - que apresentam
uma ou mais rainhas, dependendo da espécie, o
grupo de super formigas não tem rainha. A mãe
de todas é uma operária escolhida numa
disputa entre elas, sem mortes. Uma vai lutando com
a outra, até sair vencedora. As lutas podem durar
dias com pausas para descanso.
Feita
a escolha, e o macho estando no formigueiro, ocorre
a fecundação. Aliás, o papel do
macho é fecundar a fêmea - ele só
aparece nesta hora. Depois de fecundada uma única
vez, a dominante pode ter filhotes pelo resto da vida.
Os filhotes passam por várias fases (ovo, larva,
pulpa) até atingir a fase adulta. Depois, vivem
cerca de um ano.
O
seu ninho é escavado (enquanto da maioria é
construído sobre a superfície) a dois
metros de profundidade do solo, se abrindo numa espécie
de fenda no chão. Da fenda se inicia um buraco
que lembra um túnel em formato espiral, de onde
saem câmaras (espécie de salas, onde elas
vivem e trabalham).
Por
mais que as formigas incomodem, a natureza precisa delas.
As formigas representam a maior população
de insetos do planeta. Calcula-se que existam 18 mil
espécies, das quais 3 mil vivem no Brasil. O
mundo sem as formigas poderia até virar um caos.
Muitos ecossistemas seriam prejudicados e algumas espécies
deixariam de existir. O tamanduá seria o primeiro
a sumir porque se alimenta delas. As árvores
também sofreriam. Elas fornecem néctar
às formigas, que, em troca, espantam os predadores,
protegendo-as.
Como
as minhocas, as formigas também movimentam a
terra na hora de fazer os ninhos e a torna rica em matéria
orgânica, deixando-a fértil para o plantio.
As formigas ainda ajudam a espalhar sementes garantindo
a reprodução de algumas plantas e a controlar
a população de muitos insetos.
Ao
que tudo indica as formigas também infernizavam
os dinossauros. Foi encontrado um fóssil de formiga
com cerca de 100 milhões de anos. Isso mostra
que esses pequenos insetos conseguiram sobreviver aos
períodos glaciais, época em que desapareceram
várias plantas e animais. Por ser pequeno, esse
inseto consegue se esconder mais, principalmente embaixo
da terra podendo escapar até de uma explosão.
Não é por acaso que algumas vivem bem
no fundo da terra ou em lugares que a gente nem imagina.
As
formigas vivem em todos os ambientes terrestres, exceto
nos pólos. Não há como evitar sua
presença. Existem formigas em ruas, jardins,
casas e até hospitais, o que é perigoso.
Elas conseguem andar em lixo contaminado, passear em
garfos e ir de um cômodo para outro sem problemas.
Sendo assim, podem espalhar bactérias e prejudicar
ainda mais os doentes.
O
ponto forte das formigas é a organização.
Esses insetos trabalham muito, sem reclamar. A saúva,
que tem o bumbum gordinho, é exemplo. Cada operária
tem a sua função - cortadeira, carregadeira,
jardineira e soldado - e, assim que nascem, cada uma
executa sua tarefa. Elas cortam, carregam folhas e as
transformam em fungo (ou bolor), que é o seu
alimento. Ao contrário das formigas-gigantes,
as saúvas são vegetarianas.
A
rainha só observa o andamento da colônia.
Se, por exemplo, ela acha que faltam formigas no grupo
das cortadeiras, ela bota ovos para ter mais cortadeiras.
Um formigueiro só acaba quando a rainha morre.
Ela é a única que pode ter filhos. Formando
grandes batalhões à procura de comida,
as formigas podem se tornar pragas. A saúva,
por exemplo, é o terror dos agricultores porque
devora plantações. Outras, além
de plantações, atacam animais domésticos
e pessoas.
As
formigas nunca dormem; pelo menos, nunca ninguém
as viu fazerem isso. O que os biólogos descobriram
é que as formigas sabem dividir o dia em horas
de trabalho e de descanso. Alguns acham que elas não
dormem porque têm uma vida curta e precisam trabalhar
para manter o formigueiro. Algumas espécies,
como as saúvas, vivem apenas três meses
e começam a trabalhar assim que nascem.
Elas
também são surdas, quase não enxergam
e se comunicam pelo cheiro. Quando uma formiga está
em perigo, ela solta um odor para alertar as companheiras,
transmitindo um aviso de que as demais devem fugir.
O odor varia conforme a situação, mas
o ser humano não consegue sentir esse cheiro.
As formigas também servem de comida para o homem.
Os chineses adoram ensopado de formigas, vinho com formigas,
feijão com formigas etc. Eles dizem que, além
de saborosas, são úteis no tratamento
de muitas doenças. Se formigas curam realmente
ninguém sabe, mas os biólogos dizem que
as rainhas-saúvas são muito nutritivas.
Fonte:
Jornal “Diario do Grande ABC
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