| Curiosidade
25/10/07
Mecanismos
de Defesa e Fenômenos Naturais
A natureza, sábia e poderosa como ela é,
usa todos os mecanismos possíveis que possui
para preservar suas criaturas. É incrível,
mas a maioria de suas criações possui
mecanismos e produzem alguns fenômenos para se
protegerem de predadores ou até mesmo do meio-ambiente
em que vivem.
Por
exemplo, a maranta, uma planta brasileira descoberta
em 1875 e dedicada ao botânico Bartolomeu Maranta.
Esta planta possui um sistema de células que
se deslocam no ponto de junção do pecíolo
e da folha, para orientar a lâmina foliar de modo
a receber o máximo de luz. Assim, durante o dia
as folhas da maranta ficam dispostas horizontalmente,
ao contrário do período da noite, quando
elas se levantam e se fecham.
Outro
exemplo, pesquisas foram realizadas por cientistas da
Universidade de Kyoto, no Japão com o feijão-de-lima
(Phaseolus lunatus). As pesquisas com suas folhas concluíram
que este tipo de feijão, em particular, é
capaz de "avisar" seus vizinhos da presença
de inimigos. A comunicação se dá
por meio da liberação de certas substâncias
químicas no ar.
Os
pesquisadores fizeram com que uma das folhas fosse atacada
por pequenos aracnídeos da espécie Tetranychus
urticae. Depois, analisaram as plantas que não
foram atacadas e perceberam que nelas cinco genes de
defesa haviam sido ativados. Uma planta desse tipo,
quando atacada, ativa suas próprias defesas,
liberando determinados compostos químicos. Estes
são capazes de não só tornar a
planta mais difícil de ser digerida pelo atacante
- provocando uma espécie de indigestão
- como também de atrair os predadores de seu
inimigo para um banquete. A grande novidade para estes
pesquisadores é que, além de providenciar
a defesa da planta atacada, essas substâncias
avisam suas colegas de que há inimigos na região.
Segundo os pesquisadores, essas plantas quando "devidamente
alertadas", podem preparar suas defesas contra
os aracnídeos antecipadamente. Os cientistas
destacam a importância do estudo para a criação
de novos métodos para proteger as plantas de
herbívoros.
A
urtiga é outro exemplo de uma planta com um mecanismo
de defesa. O nome urtiga vem do latim urere (= arder)
e é uma designação genérica
de várias plantas que apresentam um mecanismo
de ação semelhante. A mais comum delas
é a Urtica dioica. Nessas plantas existem diversas
substâncias, principalmente a histamina, a acetilcolina
e o ácido fórmico que, quando entram em
contato com a pele, provocam dilatação
dos vasos sangüíneos e uma espécie
de inflamação. Por esta razão é
dito que a urtiga queima, ou melhor, dá coceiras.
As substâncias agressivas ficam armazenadas em
minúsculos pêlos que se espalham pelo caule
e folhas da planta. A parte inferior do pêlo apresenta
incrustações de cálcio, o que lhe
dá rigidez, mas a ponta é frágil
e se rompe ao mais ligeiro toque.
Um
outro mecanismo de defesa ou fenômeno natural
é o de mudança de cor, como nas folhas
durante o inverno. Pesquisas desenvolvidas na Universidade
de Wisconsin-Madison (EUA) propõe uma explicação
simples para o fenômeno no qual as folhas das
árvores se tornam avermelhadas antes de caírem
no outono, e a sua cor é mais viva em alguns
anos. A pesquisa revelou que os pigmentos vermelhos
chamados antocianinas que se acumulam nas folhas funcionam
como uma proteção contra a radiação
solar intensa, protegendo o tecido que realiza a fotossíntese.
Durante
o outono, as árvores reabsorvem os nutrientes
das folhas; para recolher o máximo de nutrientes
antes que as folhas caiam, elas precisam da energia
gerada na fotossíntese. Contudo, os sistemas
que participam da fotossíntese - muito utilizados
no verão - também estão sendo decompostos
e absorvidos no outono. Além dessa decomposição,
a fotossíntese pode ser inibida ainda por uma
luminosidade muito intensa. Por isso, logo que a reabsorção
de nutrientes se inicia no outono, a concentração
das antocianinas aumenta na superfície das folhas.
Esses pigmentos absorvem grande parte da luz que chega
às folhas. Dessa forma, preserva-se a limitada
habilidade das árvores de produzir energia durante
o outono. Além da luz abundante, baixas temperaturas
e outros fatores de estresse também provocam
o acúmulo das antocianinas nas folhas. Esta descoberta
ainda confirma as observações de que as
cores do outono são mais vivas em dias mais claros
e nas folhas situadas na parte mais externa das árvores.
Por exemplo, as regiões em que o outono é
ensolarado e frio exibem folhas muito mais vermelhas
nessa estação.
Outro exemplo típico
é o que acontece com as hortências, algumas
pessoas reclamam que adquirem mudas de hortênsia
(Hidrangea macrophilla) de uma determinada cor e, com
o passar do tempo elas mudam de cor: de azuis, as flores
se tornam cor-de-rosa ou vice-versa.
Na
verdade, o índice de acidez e alcalinidade do
solo pode realmente alterar a coloração
dessas flores. O mistério funciona mais ou menos
assim: em solos ácidos, ou seja, com pH abaixo
de 6,5, surgem flores azuis; já em solos alcalinos,
com pH acima de 7,5, surgem flores rosadas e até
brancas.
Podemos
alterar o grau de acidez ou alcalinidade do solo, para
determinar a cor das hortênsias. Para obter flores
azuis, por exemplo, recomenda-se regar o canteiro duas
vezes por ano com a seguinte mistura: 20g de sulfato
de alumínio (pode ser substituído por
pedra ume) diluído em 10 litros de água.
Para obter hortênsias cor-de-rosa, primeiro faça
uma poda na planta, para ajudar a eliminar parte do
alumínio contido nas folhas. Depois, transplante-a
para um novo canteiro, já preparado com 300g
de calcário dolomítico por m².
Existe
também a velha “receita da vovó”
para intensificar o tom azul-violeta das hortênsias:
colocar de molho em água alguns pedaços
de palha de aço usadas e depois aplicar a “água
enferrujada” nas regas semanais das hortênsias,
alternando com outras regas normais.
Fonte:
Folha de S. Paulo
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