| Dica
03/05/07
A
casa onde morou o arquiteto Oscar Niemeyer é
um charmoso museu
 |
Os
cariocas estão familiarizados com as obras
públicas de Oscar Niemeyer, como o Sambódromo
e o Museu de Arte Contemporânea, em Niterói.
O que poucas pessoas conhecem é o ambiente
particular onde o mestre da arquitetura viveu, na
década de 50, com a mulher, Anita –
que morreu no ano passado, e a filha, a galerista
Anna Maria Niemeyer. |
Recentemente
aberta à visitação pública,
a Casa das Canoas é uma pequena jóia arquitetônica
instalada quase no sopé da Pedra Bonita, no alto
da Estrada das Canoas, em São Conrado. Além
do imóvel, o mobiliário da casa e seis
serigrafias que decoram as paredes dos quartos levam
a assinatura de Niemeyer. "As pessoas podem até
não gostar da casa, mas não podem dizer
que viram outra igual", diz o arquiteto, que vai
completar 99 anos em dezembro e atualmente se recupera
de uma cirurgia para reparar uma fratura no quadril
causada por um tombo, em seu apartamento em Ipanema.
Projetada
em 1951 e construída dois anos mais tarde, a
casa, considerada um dos marcos da arquitetura moderna
brasileira, é protegida por tombamentos estadual
e municipal. Além do apuro estilístico
e do traço inconfundível de Niemeyer,
o imóvel é emoldurado por jardins de Roberto
Burle Marx, repletos de esculturas de Ceschiatti e de
Vera Torres. Tudo isso em harmonia com a Mata Atlântica
ao redor, salpicada com jaqueiras, mangueiras e bananeiras.
"Curiosamente, a casa é mais visitada por
estrangeiros, que se informam sobre Niemeyer pela internet,
do que por brasileiros", afirma Allan Guerra, superintendente
da Fundação Oscar Niemeyer, que administra
a propriedade.
Foi
com a preocupação de interferir o mínimo
possível na paisagem que o arquiteto elaborou
o projeto. Do jardim, vêem-se apenas a piscina
circular, a imensa pedra que se estende do espelho-d'água
até o interior da casa e a laje sinuosa, em formato
de ameba, sustentada por finos pilotis. Ali estão
a cozinha e a área social com as salas de estar
e de jantar, cercadas por vidros curvos que acompanham
o contorno da casa. "Criei para as salas de estar
uma zona em sombra, para que a parte envidraçada
poupasse o uso de cortinas e a casa ficasse transparente",
explica Niemeyer em seu site. A área íntima
fica no andar de baixo, aproveitando o desnível
do terreno, com três quartos, banheiros e sala
de leitura.
Niemeyer
morou ali até 1959, quando se mudou para Brasília
para acompanhar a construção da nova capital.
Mas o recanto ainda tem o toque pessoal do arquiteto
por todos os lados. A começar pelos móveis
do living e da sala de jantar. Na sala íntima
há uma chaise-longue de balanço, ao lado
da escrivaninha e da estante que segue a curvatura da
parede. Nas prateleiras, obras completas de Eça
de Queiroz, José de Alencar, Graciliano Ramos
e Machado de Assis, entre outros livros amarelados com
a pátina do tempo. Nos quartos estão expostos
as serigrafias, os móveis e maquetes de projetos
famosos, como a Catedral de Brasília e o MAC,
e outros pouco conhecidos, como a versão de Niemeyer
para o Maracanã, com um arco gigante que deixaria
aquele da Praça da Apoteose envergonhado.
Por Carlos Henrique Braz
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