| Dica
08/05/07
O
estranho museu da jardinagem
O
primeiro museu dedicado à história da
jardinagem está completando 25 anos. O curioso
é que ele fica em Londres, um lugar de clima
instável e inverno rigoroso, um verdadeiro prugatório
para qualquer jardim.
É
lá que a paixão dos ingleses pela jardinagem
se revela. A cada primavera, eles se dedicam a encher
seus quintais de flores e plantas, mesmo sabendo que
aIgumas, que são anuais, serão liquidadas
pela primeira nevasca. Prova disso são os inúmeros
jardins particulares, jardins botânicos e festivais
de flores e plantas que estão entre os maiores
do mundo.
O
museu de História da Jardinagem resume um pouco
esse espírito jardineiro do povo inglês.
Ele
fica escondido em um bairro industrial de Londres, a
uma curta caminhada de dois pontos turísticos
importantes - as casas do parlamento e o Big Ben. O
acervo ocupa o prédio de uma antiga igreja às
margens do rio Tâmisa. Lá, estão
enterrados John Tradescant pai e filho, dois jardineiros
que, durante o século 17, serviram à família
real inglesa e viajaram pelo mundo para trazer novas
plantas ao Reino Unido.
Durante o Renascimento,
as viagens intercontinentais despertaram o interesse
por espécies vegetais que mudaram a agricultura
e a jardinagem européias. Da América,
foram trazidas espécies, como a batata, o tomate,
a pimenta, a beringela, o milho e o tabaco. Já
as tulipas e os damascos vieram da Turquia nesse mesmo
período.
John Tradescant era
um dos homens que traziam essas novas espécies
ao Velho Mundo. Nascido em 1570, ele se tomou um dos
jardineiros mais respeitados da época. Teve a
felicidade de participar de diversas viagens para lugares
exóticos, como a África, a Rússia
e as Ilhas do Mediterrâneo. Durante essas jornadas,
Tradescant coletou e classificou novas espécies
que posteriormente utilizou para compor jardins de nobres
como o rei Charles I.
Transportar plantas
pelo Atlântico era algo muito complicado. Se as
mudas ficassem no deque dos navios, correriam o risco
de serem encharcadas pela água do mar. Já
nos porões, poderiam morrer por falta de luz.
Água fresca era algo valioso nessas viagens que
chegavam a durar até três meses, e os marinheiros
não gostavam da idéia de dividir o restrito
suprimento com as plantas. A solução era
levar sementes.
No museu, é possível
ver documentos escritos por Tradescant, explicando os
melhores métodos de transporte: "As sementes
devem ser armazenadas em papel e colocadas em uma caixa,
com o nome das espécies anotado com cuidado.
Nozes e castanhas devem ser postas em barris de areia
e embrulhadas em papel, com o nome devidamente anotado".
Ferramentas
que marcaram época
Além de contar
a história dos pioneiros da jardinagem inglesa,
a pequena coleção do museu mostra algumas
ferramentas antigas. Há pás e ancinhos
do século 18 e 19, exemplos de antigas placas
utilizadas para identificar plantas e curiosidades como
uma armadilha para vespas do século 17. Trata-se
de um jarro de vidro com a boca bem estreita que costumava
ser preenchido até a metade com água açucarada,
sendo que a entrada era coberta com mel. As vespas eram
atraídas pelo conteúdo e acabavam se afogando
na água.
Também há
painéis que contam a história do envolvimento
dos ingleses com o cultivo de plantas. A agricultura
foi introduzida no país em cerca de 4.000 a.C.
Naquela época, as ferramentas eram feitas de
madeira e de ossos de animais. Quando os romanos ocuparam
o território inglês, os metais já
eram dominados pelo homem, e as pás começaram
a ser recobertas de cobre ou de ferro para se tornarem
mais resistentes.
Foi na Idade Média
que surgiram as primeiras ferramentas feitas especialmente
para jardinagem. Nesse período, a Europa sofreu
grande influência dos mouros. Espécies
como alecrim, lírio, íris, narciso e cravo
foram trazidas do Oriente e acabaram chegando à
Inglaterra. Os mouros também foram responsáveis
pelo descobrimento de diversas propriedades medicinais
de ervas, fazendo com que a jardinagem não fosse
apenas praticada pelo paisagísmo, mas também
pelas possibilidades de cura de vários males.
Fonte de pesquisa: Revista Natureza
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