| Dica
28/05/07
Cientistas
desvendam mecanismo da floração das plantas
Uma
equipe internacional de investigadores descobriu que
o movimento da floração das plantas é
determinado por um sinal de uma proteína que
vai das folhas até à ponta dos rebentos,
indica um estudo publicado.
A
investigação, de cientistas do Imperial
College de Londres e do Instituto Max Planck de Colônia,
descreve o mecanismo da floração da Arabidopsis
(planta da família das couves, a primeira com
flor cujo genoma foi totalmente seqüenciado), em
resposta a variações na duração
do dia.
Estudos
anteriores já tinham mostrado que as folhas das
plantas eram sensíveis a alterações
sazonais da duração do dia e que estas
desencadeavam o envio de um sinal pelo sistema vascular
da planta, das folhas até à ponta dos
rebentos, induzindo a floração.
Porém,
a identidade desse sinal de longa distância permaneceu
misteriosa.
Os autores do novo estudo, publicado na Science Express,
sugerem que esse sinal seja uma proteína (proteína
FT) produzida nas folhas pelo gene FT e que percorre
o sistema vascular da planta até à ponta
dos rebentos, onde ativa outros genes que induzem a
floração.
A
equipe de investigadores conseguiu seguir a progressão
da proteína na planta através de sistemas
microscópicos muito sensíveis, depois
de a ter marcado com uma proteína fluorescente
verde.
Para
Colin Turnbull, da Divisão de Biologia do Imperial
College, a descoberta poderá significar um avanço
muito importante para a ciência das plantas.
Desde
1930, quando ficou claro pela primeira vez que alguma
coisa comunicava das folhas aos rebentos a percepção
de alterações da duração
do dia e causava a floração, que os cientistas
têm procurado desvendar este mecanismo.
Nos
últimos dois anos, vários laboratórios
fizeram descobertas excitantes que apontavam, todas
elas, para o papel central do gene FT no controle do
momento da floração - afirmou o cientista
britânico.
Agora
que conseguimos seguir a proteína FT no seu percurso
entre as folhas e a ponta dos gomos, temos uma explicação
plausível para a resposta das plantas à
duração dos dias, concluiu.
Trabalhos
paralelos feitos no Japão mostraram mecanismos
muito semelhantes que funcionam na planta do arroz,
o que poderá traduzir-se em benefícios
para a produção agro-alimentar.
A
capacidade de controlar a floração tem
um enorme potencial comercial tanto para as espécies
alimentares como para as não alimentares, por
exemplo através do alargamento das épocas
de produção ou do desenho de plantas mais
adaptadas às alterações climáticas.
Um
estudo sueco que incidia também no mecanismo
molecular de controle do momento da floração
das plantas, publicado pela revista Science em 2005,
acaba de ser anulado pelos seus autores, por se basear
em dados manipulados, segundo a última edição
da revista.
Fonte:
Diário Digital - Lusa/Portugal
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