Dica
27/06/07

Plantas medicinais e fitoterápicos

Desde os primórdios da humanidade e mesmo antes do início da civilização o homem tem encontrado nas plantas soluções para muitos de seus problemas. O ser humano surgiu depois que a maioria das espécies vegetais atuais já havia coberto o planeta, tendo se desenvolvido a partir da observação e da interação com a natureza. Assim, começou classificando as plantas em três categorias: as de uso alimentício, as tóxicas e as medicinais.

A história do desenvolvimento das civilizações Oriental e Ocidental é rica em exemplos da utilização de recursos naturais na medicina e no controle de pragas na agricultura, merecendo destaque as civilizações egípcia, greco-romana e chinesa.

Podemos estimar que existam cerca de 350 mil espécies de plantas superiores, das quais cerca de 20 mil são consideradas medicinais e, destas, cerca de mil são utilizadas nas indústrias de medicamentos alopáticos, fitoterápicos e de cosméticos.

Com o controle de pragas pelo uso de inseticidas e o controle de plantas invasoras pelo uso de herbicidas, bem como pelo desenvolvimento de novas variedades de plantas mais produtivas e melhor adaptadas, a produção de alimentos alçou crescimento exponencial a partir do século XIX, o que permitiu o crescimento vertiginoso da população mundial, que hoje está acima de 6,5 bilhões de habitantes.

Todavia, a alimentação de toda a humanidade baseia-se, perigosamente, em poucas espécies vegetais, das quais podemos destacar: trigo, milho, soja, arroz, sorgo, feijão, legumes, frutas, dentre outras. Este número reduzido tem explicação, pois as plantas, como quaisquer outros seres vivos, buscam desenvolver-se e reproduzir-se, não servindo simplesmente de alimento para outros reinos! Pergunta-se: Por que as plantas apresentam propriedades tóxicas e/ou medicinais? As plantas não se locomovem e, por isso, enfrentam muitos desafios para sua sobrevivência, tais como: variações do clima, da composição do solo, bem como o ataque de fungos, bactérias, vírus, nematódeos, insetos e outros herbívoros. Em conseqüência disso, as plantas desenvolveram arsenal químico complexo e rico em substâncias que atuam nos diferentes organismos com os quais interagem, sendo muitas dessas substâncias tóxicas para o homem.

As pessoas, de maneira geral, consideram que as plantas não representam perigo à saúde. Há que se destacar que dos 30 venenos mais potentes, 20 são de origem natural. As plantas são excelentes alternativas para a profilaxia e o tratamento de muitas doenças que nos afetam, mas têm que ser utilizadas com critério, uma vez que todo medicamento tem que atender o tripé segurança, eficácia e qualidade.

Essa é a razão do título deste artigo, pois os fitoterápicos são preparados a partir das plantas medicinais e, necessariamente, têm que atender o referido tripé. Portanto, fitoterápicos são medicamentos e plantas medicinais não podem ser consideradas medicamentos, pois não satisfazem estes pré-requisitos.

Assim, faço aqui um alerta à população: muito cuidado com o uso indiscriminado de plantas, para as quais ainda não há estudos que comprovem principalmente a segurança de seu uso. Há muitas plantas que são tóxicas ao fígado, cancerígenas, tóxicas aos rins ou ao sistema nervoso central.

Há um ditado que diz: "você é o que você come!" Hipócrates já dizia 380 anos aC: "faça do seu alimento o seu medicamento e do seu medicamento o seu alimento", pois ele já sabia o que a ciência vem comprovando nos últimos anos, isto é, que as frutas, as verduras, os legumes e os cereais são ricos em substâncias que desempenham papel fundamental na manutenção da nossa saúde, as quais não são classificadas como glicídeos, lipídeos ou protídeos, mas são outros metabólitos, denominados metabólitos secundários, que só as plantas biossintetizam, tais como: flavonóides, lignanas, fitoesteróides, carotenóides, terpenos, etc.

Por isso, tenha uma alimentação equilibrada, faça atividades físicas regularmente e cuidado com o uso indiscriminado de medicamentos, sejam eles naturais ou sintéticos. Ame-se e cuide-se!!

Jairo Kenupp Bastos é professor titular e vice-diretor da FCFRP-USP
ESPAÇO USP - CIÊNCIA & SAÚDE

Fonte: Gazeta de Ribeirão
 

 

   
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