| Dica
27/06/07
As
plantas amigas do jardim
Alelopatia:
a química que existe entre algumas plantas
estimula o crescimento e as protege das pragas.
As plantas têm
uma maneira muito própria de se defender de pragas
e de outras plantas. Elas liberam substâncias
no solo ou no ar, processo explicado por uma ciência:
a alelopatia. Esses aleloquímicos existem em
todas as partes da planta e são liberados pelas
raízes, folhas e caule. Já as substâncias
presentes nas espécies aromáticas "voam"
para as outras plantas sendo absorvidas rapidamente
pela "pele" de suas vizinhas. Em outros casos,
podem ser condensadas pelo orvalho e penetrarem no solo
por onde chegam até as raízes das outras
plantas. A principal função de um aleloquímico
é defender a planta emissora, mas ele pode cumprir
uma função ainda mais nobre. Plantas que
liberam uma alta taxa de aleloquímicos de defesa
contra pragas podem ajudar a defender outras plantas
no mesmo canteiro.
Tenha
pelo menos uma delas em seu jardim ou em sua horta
Todas as nove plantas
indicadas são companheiras, ou seja, quando plantadas
como bordaduras, podem repelir insetos e vermes de todo
um canteiro, defendendo as plantas vizinhas:
• Cravo de defunto
(Tagetes patula)
• Citronela (Cymbopogum nardus)
• Capuchinha (Tropaeolum majus)
• Arruda (Ruta graveolens)
• Alfazema (Lavandula angustifolia)
• Manjericão (Ocimum gratissimum)
• Sálvia (Sálvia officinalis)
• Urtiga (Urtica dioica)
• Mamona (Ricinus communis)
A
"esperteza" das plantas
A alelopatia destaca
a perfeição da natureza nos mínimos
detalhes. O ácido cítrico que existe no
sumo de muitas frutas assegura que as sementes não
germinem antes da hora, da mesma forma que o tanino
de alguns frutos impedem que eles sejam comidos antes
do tempo. Além de proteção, a química
das plantas pode funcionar como um bioestimulante. Se
você plantar cebolas junto a roseiras, os botões
de rosa desabrocharão com um perfume mais acentuado.
As
plantas e seus poderes
Através da alelopatia,
é possível identificar várias funções
das plantas:
• Impedir o crescimento de certas plantas
• Estimular o crescimento de novas espécies
• Evitar o ataque de microrganismos indesejáveis
• Aumentar o vigor vegetativo das espécies
vizinhas
• Conservar as sementes
• Provocar uma espécie de auto-intoxicação
que controla a população daquela mesma
planta
• Ajudar nos processos de nutrição,
reprodução e fotossíntese
• Emitir substâncias repelentes, atraentes
ou tóxicas para os insetos
A
alelopatia e o ecossistema
A sucessão vegetal
que existe naturalmente em matas e florestas é
ditada pela alelopatia. O estudo dessa influência
nos ecossistemas começou em 1914 nos EUA, com
pesquisas sobre a regeneração de terrenos
agrícolas abandonados. Ele observou que o revezamento
natural das plantas em suas funções era
determinado por uma interferência de substâncias
químicas.
As primeiras plantas
que apareciam e ficavam no solo por dois ou três
anos eram ervas daninhas altamente tóxicas que
controlavam sua própria população.
Em seguida, iniciava se uma fase mais longa, de cerca
de nove anos, com plantas perenes que tinham seu crescimento
estimulado pelas antecessoras.
Nesse período,
as plantas protegiam o solo e exalavam substâncias
alelopáticas inibidoras de plantas muito exigentes
quanto à fertilidade, por exemplo. Esse processo
já preparava o terreno para a terceira fase.
Ao iniciar a nova etapa, o solo estava protegido e podia
receber o novo grupo de plantas, agora arbustivas, que
duraria cerca de 20 anos moldando a fase seguinte. Essa
última, rica, diversificada, mostrando as grandes
árvores de clímax que compõe as
florestas.
Quando a lingua "amarra"
os frutos ainda verdes contém tanino, responsável
pelo seu gosto desagradável. Essa é uma
estratégia da árvore frutífera,
pois impede que seus frutos sirvam de alimente antes
da hora
A
alelopatia e o solo
Os aleloquímicos
também podem ser liberados por restos vegetais
em decomposição. A prática de deixar
os resíduos das culturas sobre o terreno para
formar a chamada "cobertura morta" é
um dos processos em que a alelopatia pode ser mais utilizada.
A ação da matéria vegetal sobre
a temperatura e a umidade do solo cria um ambiente favorável
ao desenvolvimento de microrganismos úteis na
regeneração da terra. Com a decomposição
desse material, a liberação dos aleloquímicos
e seus efeitos posteriores sobre as plantas se prolongam.
Essa química poderosa é uma prova de como
as plantas se ajudam. Afinal de contas, amigos são
para essas coisas.
Fonte:
Revista Natureza
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