| Dica
11/06/07
Bambu
poderia servir de salvação para o planeta
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Bambu
é uma planta antiga e versátil, que
tem papel em mitos de criação mas
também surge plantada em vasos humildes nos
terraços de Manhattan. A planta existe em
variedades semelhantes a moitas, mais comportadas,
e em variedades selvagens que se propagam como mato,
por rizomas, as quais servem muito bem em uma área
selvagem, mas não são uma boa idéia
quando plantadas para delimitar um jardim ou quintal,
porque podem invadir o terreno vizinho. Mas é
exatamente esse vigor expansivo que está
levando os ambientalistas a tratar o bambu como
a nova planta essencial para a salvação
do planeta. |
O
bambu trabalha muito bem na retenção de
dióxido de carbono e produção de
oxigênio. É uma planta resistente que produz
seus próprios compostos antibacterianos e pode
prosperar sem pesticidas. E suas fibras porosas podem
ser usadas na produção de um tecido poroso
e suave como a seda. De fato, os fabricantes de tecidos
do Japão e da China estão envolvidos em
tamanha corrida por bambu que, em sua edição
de maio, a revista National Geographic previu que "esse
tecido recentemente desenvolvimento pode um dia competir
com o rei Algodão" (nos mercados chinês
e japonês o bambu é explorado em plantações
comerciais).
No entanto, enquanto
a demanda mundial aumenta cada vez mais, a oferta de
bambu escasseia. Planta que em geral floresce apenas
uma vez a cada 60 ou 120 anos e depois morre, sua propagação
por meio de sementes é difícil. E cultivar
bambu por enxertos de plantas existentes é notoriamente
complicado. Assim, quando Jackie Heinricher e Randy
Burr descobriram como produzir bambu em tubos de ensaio
- vendendo as primeiras duas mil plantas a centros locais
de jardinagem no vale de Skagit, no Estado de Washington
- o efeito no mundo da horticultura foi intenso.
"É engraçado,
porque o bambu tem essa reputação de conquistador
do universo, mas é uma das plantas mais difíceis
de gerar", disse a bióloga Heinricher em
uma tarde de começo de junho, no centro de produção
de sua empresa, a Boo-Shoot Gardens, em Mount Vernon,
cidade localizada cerca de duas horas ao norte de Seattle.
Heinricher, para quem
o bambu foi uma constante na infância - seu pai
tinha bambus dourados plantados em torno da casa da
família em Olympia, Washington - começou
seu esforço de propagação da planta
no final dos anos 90, em uma pequena estufa instalada
em sua casa, na vizinha Anacortes.
"Interessei-me
pelos bambus não invasivos desde o começo,
sabendo que são muito belos mas impossíveis
de produzir", ela afirmou. Heinricher logo descobriu
até que ponto esse processo era difícil,
ao retirar mudas de muitas de suas plantas raras e perceber
que grande proporção das amostras terminava
morta. Por isso, persuadir Burr, proprietário
da B&B Laboratories, uma empresa local, a ajudá-la.
Burr e sua empresa estão no mercado há
quase 30 anos, com um laboratório de cultura
de tecidos com 1,2 mil metros quadrados e 3,5 mil metros
quadrados de estufas.
A B&B produz plantas
as mais variadas, de rododendros a couves-flor, e descobriu
como produzir mudas de samambaias de Boston em estufa,
em 1973, para um viveiro de plantas em Oxnard, Califórnia,
além de ter desenvolvido métodos para
produzir milhares de outras plantas.
"O bambu foi o
mais difícil", disse Burr, relembrando os
oito anos de experiências com as mais diferentes
combinações de variáveis, a fim
de conseguir a regeneração de bambu em
um tubo de ensaio. Quando pergunto que método
enfim funcionou, Burr me olha, risonho, e diz: "Teríamos
de eliminar você se contássemos".
Os diferentes tipos
de bambu variam de versões frágeis como
a Fargesiae murieliae, dotada de folhagem verde ervilha
que chora como a dos salgueiros, a plantas verdadeiramente
heróicas em sua força, como a Phyllostachys
edulis, cujas robustas hastes verde-oliva podem crescer
23 m em uma única temporada.
As fibras de bambu são
recurso renovável para tecidos, comida e papel.
E plantações experimentais financiadas
pelo Departamento da Agricultura no Alabama, entre 1933
e 1965, demonstraram a promessa do bambu para o papel
e outros derivados de madeira. O bambu gera 35 t de
madeira por hectare, ante 20 para o pinho, uma das maiores
fontes de madeira para uso comercial nos Estados Unidos.
Muitas dessas plantas podem agora ser produzidas em
vasta escala, o que é revolucionário para
o setor de jardinagem. Países como a Bélgica
exploraram a cultura de tecidos de bambu, mas a Boo-Shoots
parece estar liderando o mercado mundial.
"Acredito que Jackie
seja a primeira cientista norte-americana a ter descoberto
como produzir bambu a partir de tecidos em cultura",
disse Nicholas Staddon, diretor de introdução
de plantas do Monrovia, um viveiro de plantas que opera
no atacado em cinco locais dos Estados Unidos. "O
método dela fez diferença significativa
para a maneira pela qual levamos plantas ao mercado".
Em um passeio pelas
fileiras de bambus plantados por sua companhia, Heinricher
me disse que "sempre me senti fascinada pelo bambu,
especialmente as variedades conhecidas como madeira,
com suas hastes gigantescas, douradas, negras ou listradas,
e alturas de seis a 35 m. Mas eu tinha medo de cultivá-las,
pensando naquelas histórias assustadoras sobre
bambus que invadem o gramado dos vizinhos".
Mas Heinricher agora
está determinada a ensinar as pessoas a escolher
as plantas certas, e a manter sob controle até
mesmo as variedade de mais vigoroso crescimento. (O
panfleto que ela escreveu, "Discovering Bamboo",
disponível em booshootgardens.com, descreve como
cultivar e manter bambus.)
Tradução:
Paulo Eduardo Migliacci ME
Fonte
de pesquisa: The New York Times
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