| Dica
08/01/08
Formigas: no jardim, na cozinha, na sala... o que fazer?
As
formigas são a praga que mais incomoda o homem,
seguidas por baratas e cupins, conforme levantamento
realizado em 2000 pelo pesquisador Paulo Roberto Corrêa,
especialista em Entomologia Urbana, entre 350 empresas
controladoras de vetores e pragas. Os problemas trazidos
por formigas podem variar do simples incômodo
a picadas e até mesmo a infecções
hospitalares, de acordo com pesquisa realizada entre
1999 e 2000 pela docente da Pontifícia Universidade
Católica de SP, Marcela Pellegrini Peçanha.
Segundo ela, esses insetos podem transportar bactérias
em seu corpo. Em outro trabalho, do professor Odair
Correa Bueno, da Universidade Estadual Paulista (Unesp),
verificou-se a presença de 23 espécies
de formigas num só hospital.
As
espécies
Segundo
a pesquisadora Ana Eugênia Campos Farinha, do
Instituto Biológico de SP, há entre 20
e 30 espécies de formigas que vivem em estreito
contato com o homem. Entre as mais comuns estão
a Tapinoma melanocephalum (formiga-fantasma); a Paratrechina
longicornis ou Paratrechina fulva (formiga-louca); a
Linepithema humile (formiga argentina); a Monomorium
pharaonis ou Monomorium floricola (formiga-faraó);
a Wasmannia auropunctata (formiga pixixica), e também
as dos gêneros Crematogaster (acrobatas); Brachymyrmex
(sem nome comum); Camponotus (carpinteiras); Solenopsis
(lava-pés) e Pheidole (cabeçudas), além
de saúvas (gênero Atta) e quenquéns
(gênero Acromyrmex), estas mais encontradas no
meio rural.
As
picadas das lava-pés, formigas pequenas que formam
ninhos com montes de terra solta em áreas gramadas
ou calçadas, podem resultar em leve coceira ou
até em choques anafiláticos em pessoas
alérgicas. "É que, a cada picada,
a lava-pé solta veneno", diz Ana.
As
carpinteiras são assim chamadas porque fazem
ninhos em locais onde há madeira – troncos
de árvores, batentes de portas e janelas, rodapés,
forros, gavetas e armários –, escavando-a
para fazer o ninho. De hábitos noturnos, elas
também se instalam dentro de aparelhos eletrônicos,
como videocassetes – hábito também
observado nas formigas-faraós. De acordo com
Ana, o número de cabeçudas e argentinas
tem crescido. "Ambas as espécies expulsam
outras formigas que já estejam no local. Estas
se mudam e ampliam a infestação de todas
as espécies".
Controle
O
controle desses insetos pode ser químico ou natural.
Iscas formicidas de ação lenta são
as mais eficientes, porém nem todas funcionam
com todas as espécies. "Iscas para saúvas
não funcionam com formigas urbanas", diz
Ana. Inseticidas convencionais também não
são a melhor forma de combatê-las. "Matar
esses insetos com inseticida não é eficiente,
pois dentro de casa fica no máximo 30% da colônia.
O resto fica no ninho".
O
proprietário da MRZM – Indústria
e Comércio de Produtos Contra Pragas Urbanas,
Francisco Mascaro, indica iscas atrativas microgranuladas.
Espalhadas em pequenas porções nos armários
e locais de passagem das formigas, elas atraem os insetos
que, em vez de comer a isca no local, levam-na para
o ninho, dividindo-a com a colônia. O produto,
venenoso, mata o formigueiro. Uma caixa da isca com
cinco envelopes de 2,5 gramas custa em média
R$ 10 e é suficiente para um apartamento de 100
metros quadrados. "A quantidade de veneno é
pequena e não prejudica o ser humano".
O
gerente-regional da Empresa de Pesquisa Agropecuária
e Extensão Rural (Epagri) de Santa Catarina,
Osvaldir Dalbello, diz, porém, que o controle
químico deve ser a última alternativa
e indica a prevenção como melhor solução:
higienizar os ambientes, diminuir a oferta de alimentos
e mantê-los bem acondicionados, embalar e dispensar
diariamente o lixo e vedar frestas de azulejos "pode
ser um bom começo", diz.
Os
aparelhos de ultra-som são, segundo Mascaro,
outra opção. O aparelho altera o campo
magnético e faz com que as formigas percam a
referência de localização. "Ele
funciona com eletricidade, não esquenta e não
causa danos ao homem." O ultra-som cobre um raio
de até 200 metros quadrados, independentemente
da existência de barreiras físicas. O preço
médio é de R$ 170,00.
Remover
ninhos visíveis, como os das lava-pés,
é uma alternativa que exige persistência,
explica Ana Eugênia. Joga-se, no caso, uma solução
de metade água, metade água sanitária
ou apenas água fervente nos ninhos. A aplicação
deve ser feita à tarde, para que a água
sanitária não queime o gramado.
Para
eliminar formigas residenciais é preciso identificar
ninhos em potencial, como buracos em azulejos. Com uma
seringa, aplica-se uma mistura meio a meio de água
e detergente e, posteriormente, fecham-se os furos com
parafina, cimento ou sabão. Se as formigas voltarem,
significa que o ninho da rainha não foi eliminado.
Repetem-se as aplicações até atingir
o ninho principal.
Repelentes
Alguns
métodos repelentes também são indicados,
conforme explica o professor Bueno, da Unesp Rio Claro.
Ele esclarece, porém, que não é
possível livrar-se da totalidade dos insetos
só com essas receitas. A sugestão é
distribuir punhados de cravo-da-índia, folhas
de louro, cascas de limão ou de tangerina –
que possuem óleos essenciais repelentes –
pelos cantos dos armários ou da casa. Dentro
do açucareiro, pode-se colocar um sachê
feito com gaze e cravo-da-índia. Em todos esses
casos, é necessário fazer a troca a cada
duas semanas, para que o cheiro não se dissipe.
Para
a área rural, são indicadas iscas formicidas
de ação lenta contra formigas cortadeiras.
Dependendo do princípio ativo, podem ser tóxicas
às formigas, agindo por ingestão, ou ao
fungo que as alimenta no ninho, levando os insetos a
morrer de fome. Devem ser usadas de acordo com as instruções
do fabricante.
Fonte:
estadao.com.br;
Instituto Biológico de São Paulo, (0--11)
5087-1793;
Centro de Estudos de Insetos Sociais/Unesp Rio Claro,
(0--19) 534-8523.
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