Notícia
31/03/08

Assentados de Campo Verde (MT) apostam em flores tropicais

Agricultores do Núcleo Florestan Fernandes, do Assentamento 28 de Outubro, fazem plantio comercial das espécies com apoio da prefeitura municipal e do Sebrae/MT

Rita Comini

Cuiabá - Treze famílias de pequenas propriedades rurais (cerca de 35 pessoas), incluindo muitas mulheres, do Núcleo Florestan Fernandes, do Assentamento 28 de Outubro, em Campo Verde (MT), a 139 km ao sul de Cuiabá, apostam no cultivo de flores tropicais e folhagens como alternativa de renda à produção de subsistência praticada pelas 70 famílias assentadas no local.

Com apoio técnico do Sebrae no Mato Grosso e da Prefeitura da cidade, através da Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente, as famílias plantam 26 variedades de flores tropicais, entre elas alpineas, helicônias, bastão do imperador, musas, strelitiza, costus, sorvetão e folhagens, em um dos quatro hectares da área social do assentamento, localizado a 17 km do centro da cidade.

Foto:Aurélio Cunha Pinheiro

Produtores rurais do Assentamento 28 de Outubro, em Campo Verde (MT), encontraram uma nova alternativa de renda com o plantio de flores tropicais e folhagens

O cultivo integra o 'Projeto de Desenvolvimento de Agroecologia em Pequenas Propriedades da Região Sudeste de Mato Grosso', que é mais abrangente e será implantado em outros assentamentos do município. A decisão de plantar flores nasceu depois de uma visita ao assentamento Dorcelina Folador, em Várzea Grande (MT), pioneiro na iniciativa e que já colhe e comercializa as hastes.

Valdeney Gonçalves Santos, uma das assentadas que participa do projeto, conta que a primeira reunião sobre o projeto aconteceu em agosto de 2007. Em outubro do mesmo ano, os assentados começaram a produzir as mudas. "Na visita ao Dorcelina, vimos que as flores são uma alternativa e a presença do Sebrae no projeto conta muito. Nossa expectativa é grande e se der um bom rendimento, como em Várzea Grande, vamos ficar muito felizes", declara Valdeney, animada com a nova experiência.

Aos 32 anos, casada e mãe de três filhos, Valdeney não é a única da família a participar do projeto. Sua mãe, Maria de Souza Gonçalves, de 55 anos, e o pai, Milton Piana Gonçalves, também de 55 anos, estão esperançosos com o projeto. O casal tem cinco filhos e dispõe de uma área de 26 hectares, onde plantava vários produtos para subsistência. Maria alega dificuldades porque o solo precisa de correção. Hoje, o casal também produz leite. Milton diz que gosta de flores e que elas vão ajudar na renda, somando com o que já produzem.

Amor e orientação técnica

Outro casal envolvido na produção de flores no assentamento é Rosa Maria Vilar Leandro de Oliveira e José de Oliveira. São casados há 30 anos. Pais de três filhos, na propriedade de 27 hectares trabalham com gado leiteiro – têm 9 vacas –, agricultura de subsistência, criam frango e suínos.

Rosa diz que plantar flores era um sonho antigo. "Há 20 anos, quando morava em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, tinha uma amiga que plantava flores e sempre quis fazer o mesmo", lembra. "A partir do momento em que você faz alguma coisa com amor, orientação técnica e pensamento no futuro, a tendência é sempre dá certo", afirma.

Manuel Alves de Souza e a mulher Raquel Alexandre de Souza, ele com 58 anos e ela com 56, estão unidos em torno do projeto, além de plantarem mandioca, milho e quiabo em sua propriedade. Raquel revela que achou o plantio de flores tropicais do Dorcelina muito bonito. "Voltamos de lá decididos a fazer o mesmo. Além de uma fonte de renda, é prazeroso. É muito bom lidar com criança e flor", completa.

Aureliano Cunha Pinheiro, da Unidade de Agronegócios do Sebrae/MT e gestor do projeto de 'Flores Tropicais e Folhagens', ressalta que o projeto piloto no assentamento Dorcelina Folador apontou a atividade como alternativa de renda para as pequenas propriedades rurais. "Os assentados comercializaram, de fevereiro a dezembro de 2007, 14.675 hastes e alguns deles tiveram uma renda de pouco mais de R$ 1 mil ", informa.

O gestor diz que foram feitas algumas adaptações na implantação do projeto em Campo Verde, como o plantio em sistema de canteiro e um mix de produtos maior do que do Dorcelina – 26, ao invés de 11.

Aureliano argumenta que o comércio de flores depende da moda e que é preciso sempre buscar cores e variedades novas. "Levamos em consideração as características do solo, a produção anual e a sazonalidade das espécies", relata. Para ele, a experiência tem como grande desafio resgatar o conceito de produção orgânica com aproveitamento de áreas pequenas e com a possibilidade de se criar consórcios de culturas.

Bioma local

A partir de julho, terá início o plantio do segundo módulo no Núcleo Forestan Fernandes, também em um hectare. Aureliano adianta que serão resgatadas espécies do bioma local, incluindo frutíferas e árvores de madeira do cerrado, para plantar junto com as flores.

O sistema de irrigação – gotejamento e aspersão – será implantado no término do período de chuva na região (final de abril). O local já tem um poço artesiano e uma caixa d’água de 20 mil litros. Falta instalar a bomba. Quanto à comercialização, Aureliano adianta que as vendas serão focadas primeiramente na região, em floriculturas e decoradores da cidade e de Primavera do Leste, distante 100 km.

Agroecologia

O Projeto de Desenvolvimento de Agroecologia em Pequenas Propriedades da Região Sudeste de Mato Grosso vai abranger outros assentamentos nos municípios de Campo Verde, Santo Antônio da Fartura, 14 de Outubro e Taperinha.

A agrônoma e técnica do Sebrae/MT, Cynthia Justino, esclarece que o projeto teve início em Campo Verde por que havia aptidão em alguns assentados, além de outros fatores positivos, como a presença do Centro Federal de Ensino Técnico de Cuiabá (Cefet) na Serra de São Vicente, demanda e potencial para o turismo rural. Ela acrescenta que a intenção é trabalhar com o plantio de hortaliças e trabalhar com certificação de produtos orgânicos como café e cana-de-açúcar.

"Em novembro, alguns assentados visitaram o Portal da Amazônia para conhecer a realidade dos pequenos produtores da Cooperagrepa", conta referindo-se ao grupo que comercializa orgânicos em vários pontos do Brasil e também exporta. Cynthia destaca ainda que o apoio e a participação da prefeitura é muito importante.

Serviço:
Agência Sebrae de Notícias - (61) 3348-7494 / 2107-9362
Sebrae/MT: (65) 3648-1200
www.mt.sebrae.com.br

   
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