Notícia
02/09/08
Produtores
mato-grossenses investem em flores tropicais
Sitiantes do distrito de Aguaçu, a 47 quilômetros
de Cuiabá, investem na floricultura como alternativa
para continuar no campo; cultivo de flores e folhagens
tem o apoio do Sebrae estadual
Rita Comini
Cuiabá
- Em meio ao Cerrado castigado pela estiagem de meses,
brota uma ilha de esperança. Trata-se de uma
área de um hectare, do Centro de Capacitação
e Pesquisa da Agricultura Familiar (Cepafe), na comunidade
de Aguaçu, a 47 km do centro de Cuiabá.
No local, 31 variedades de flores tropicais e oito
de folhagens. Produção sob a responsabilidade
de 19 famílias da comunidade e de mais dois
assentamentos da região, o Marcolana e o Pai
Joaquim.
Os trabalhadores rurais
que vivem no local se orgulham da área florida
situada em pleno Cerrado seco. É que o cultivo
de flores tropicais e folhagens não só
embeleza a paisagem como também melhora a renda
dos produtores. O desenvolvimento da floricultura
na região é resultado do projeto ‘Flores
Tropicais e Folhagens’, do Sebrae em Mato Grosso
e da prefeitura municipal de Cuiabá, que tem
criado condições para manter os sitiantes
em suas terras.
Gente como Sebastião
de Almeida Andrade, de 48 anos, morador do assentamento
Pai Joaquim, a 60 quilômetros da área
onde está sendo feito o plantio comunitário
das flores tropicais. Sebastião e a família
já plantam e comercializam em pequena escala
produtos como mandioca, quiabo, abóbora, frutas
e galinha caipira. Mas agora ele tem outra atribuição.
A de tesoureiro da recém-criada Associação
de Empreendedores Rurais do Distrito do Aguaçu
(Foliflor), cujo objetivo incentivar a produção
de flores e folhagens como fonte de renda para os
agricultores da região.
Confiante e bem disposto,
Sebastião se divide entre o trabalho em sua
propriedade e o plantio das flores tropicais. Por
conta disso, teve de abdicar dos domingos de descanso.
É que a entrega da mandioca resfriada nos supermercados
da capital Cuiabá passou a ser nesse dia. “Durante
a semana preciso passar alguns dias aqui no plantio
de flores”, explica o produtor, animado com
a nova possibilidade.
Assim como Sebastião,
todos os 22 membros da Foliflor tiveram a rotina alterada.
Caso de Karina Lemos dos Santos Coelho Rafael, de
35 anos, que agora preside a associação.
Na propriedade onde já produz mandioca e frutas
e cria peixes, a auxiliar de educação
infantil da escola municipal Udiney Gonçalves
de Amorim, na comunidade de Aguaçu, vislumbra
boas oportunidades com o cultivo de flores tropicais
e folhagens.
“Vejo oportunidades
aqui que não terei fora. Nosso objetivo é
dar continuidade a esse projeto de flores tropicais
e fazer desse produto nossa fonte principal de renda”,
afirma Karina, que está prestes a terminar
a faculdade de Produção Publicitária.
Mesmo assim ela garante: não quer ir embora
do lugar. “Formamos um grupo organizado e coeso.
Acreditamos que vamos ter muita força, porque
já temos o entusiasmo pelo nosso trabalho e
é com ele e o apoio que estamos recebendo da
prefeitura e do Sebrae que vamos conseguir o sucesso”,
diz.
Wilson Vitalino Siqueira,
28 anos, é professor na escola Idiney Gonçalves
de Amorim no período da noite. Durante o dia,
o biólogo que nasceu no Aguaçu e saiu
de lá somente para estudar, trabalha no cultivo
das flores tropicais. “Sempre gostei de flores.
Já trabalhei fazendo paisagismo e também
na escola agrícola, e estou muito empenhado
para que esse projeto dê certo. Nós estamos
usando o nosso conhecimento para o crescimento de
todos”, afirma.
O gestor do projeto
de Flores Tropicais pelo Sebrae em Mato Grosso, Aureliano
da Cunha Pinheiro, diz que a região de Aguaçu,
próxima a Cuiabá, tem bom potencial
para o cultivo de flores tropicais e folhagens. Um
das estratégias para incentivar expansão
da produção para os diversos sítios
existentes no local, explica, foi fazer o primeiro
plantio em uma comum a todos. Essa área serviu
de referência, de espaço para capacitar
o grupo e difundir as técnicas de cultivos
para outras propriedades.
O projeto tem ainda
o apoio das secretarias de Agricultura e Abastecimento
e de Trabalho Desenvolvimento Econômico e Turismo
da prefeitura de Cuiabá. A agrônoma Edilaine
Cristina da Silva, e o técnico agrícola
e turismólogo Eduardo Julio Ribeiro, ambos
da diretoria da Secretaria de Agricultura e Abastecimento
acompanham o projeto.
SERVIÇO:
Sebrae em Mato Grosso - 0800 570 0800 ou www.mt.sebrae.com.br