Notícia
27/11/08

Flores são alternativa de renda para mulheres no interior nordestino

História da Cooperativa de Flores da Paraíba foi apresentada durante 1º Fórum Nacional de Gênero, Cooperativismo e Associativismo, na quarta (19), em Brasília


Brasília - Ousar para mudar de vida. Foi dessa forma que Karla Cristina Paiva Rocha conseguiu melhorar não só sua vida, mas também de outras pessoas das comunidades de Pilões, Guarabira e Areia, localizadas no interior da Paraíba. O início não foi fácil, já que a região tinha como atividade principal apenas a cana-de-açúcar. Após superar algumas dificuldades, surgiu a Cooperativa de Flores da Paraíba (Cofep), que além de fornecer flores para o Estado, abastece o Rio Grande do Norte e Pernambuco.

A Cofep funciona desde 2000, em Pilões, no sertão paraibano, a 130 quilômetros de João Pessoa. A cooperativa tem 38 cooperados, sendo 36 mulheres. O grupo trabalha diariamente no cultivo de flores, como calábria, crisântemo, margarida, alamide e folhagens. Os associados não têm salário fixo. Todos recebem de acordo com a produção.

A cooperativa conta com o apoio do Sebrae, prefeitura de Pilões, Banco Mundial, Banco do Brasil Universidade Federal da Paraíba e Empresa de Assistência e Extensão Rural (Emater). Para 2009, a meta da Cofep é diversificar a produção de flores. Ao todo, são produzidos cerca de 500 pacotes de flores por semana, o que representa 12,5 mil hastes de flores.

Em março de 2005, a história da cooperativa teve reconhecimento nacional, quando o Sebrae ofereceu a Karla Cristina, o Prêmio Mulher Empreendedora pela Região Nordeste. A premiação foi criada para estimular e dar visibilidade às mulheres que se engajam em atividades produtivas., gerando emprego e renda. O reconhecimento foi um esímulo para intensificar os trabalhos da cooperativa, diz Karla.

História de sucesso

Karla lembra que, inicialmente, os principais desafios enfrentados por ela e mais 20 mulheres foi financeiro e familiar. Muitos maridos não aceitavam que as mulheres deixassem suas obrigações de casa para plantar flores. “Passamos a nos dedicar integralmente à cooperativa. Afinal, as flores precisam de água todos os dias, inclusive, nos sábados e domingos”.

Apesar das críticas, as mulheres não desistiram dos seus ideais. Karla Cristina convidou uma pessoa de Gravatá (PE), conhecida cidade produtora de flores, para passar alguns meses na comunidade plantando algumas espécies de flores. Depois, dividiriam o lucro ou o prejuízo. Com alguns meses de experiência, foi verificado que a atividade era viável.

Desde o início, no ano de 1999, o Sebrae na Paraíba apoiou o trabalho da cooperativa. As ações da Instituição foram no sentido de acompanhar os pontos falhos. A contratação de um consultor e o interesse ávido por aprender mudaram o panorama. O controle de qualidade da água, a preparação da adubação, a colheita, o tratamento das flores colhidas e a embalagem foram sendo aprimorados. Desde o início, Karla e as outras associadas participam de cursos e treinamentos oferecidos pelo Sebrae, nas áreas de cooperativismo, floricultura e técnicas de venda.

No início, a produção se resumia a flores de fácil cultivo como celsa, carinho-de-mãe e gladíolo, que não precisam de estufa. Com um ano de funcionamento, a Cofep conseguiu assinar um convênio com o Banco do Brasil para a compra de cinco estufas metálicas, que possuem mais qualidade, durabilidade e possibilitam mais praticidade no trabalho, resultando em um aumento na produção.

Mesmo colecionando essa história de evolução e sucesso, os desafios para essas mulheres continuam: atingir maiores fatias do mercado e investir sempre na qualidade em todos os aspectos para conseguir manter-se no mercado de forma competitiva. Ao ser perguntada se valeu a pena o trabalho desprendido em prol da cooperativa, Karla respondeu “faria tudo de novo”.

Serviço:
Agência Sebrae de Notícias - (61) 3348-7138 e 2107-9362

   
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