Notícia
31/03/09
Artesã
carioca inova apostando em elementos da flora brasileira
Natureza é matéria-prima da artista
Mônica Carvalho, que utiliza diversos materiais
para criar suas obras
Regina
Mamede
Rio de Janeiro - Troncos, galhos, frutos, pedras,
cabaças e conchas. Nada que vem da terra escapa
ao olhar atento da artesã carioca Mônica
Carvalho. Dona de um estilo ousado, ela mistura diferentes
materiais para criar de objetos de decoração
a acessórios. Pela originalidade e qualidade,
o ateliê da artista ficou entre as cem melhores
unidades produtivas do Brasil.
"Estou muito
orgulhosa”, diz Mônica, que pela primeira
vez concorre ao Top 100 e espera que este prêmio,
concedido pelo Sebrae Nacional, abra ainda mais o
caminho para a valorização do artesanato.
Para a artista, a
diversidade de matérias-primas brasileiras
é um enorme diferencial, pela riqueza de cores
e texturas. Há onze anos, Mônica pesquisa
e se encanta cada vez mais com a riqueza da nossa
flora como a fibra de palmeira de tururi, o fruto
moeda, que tem textura e aparência semelhante
ao couro, ou o cálice, uma flor aveludada.
Essas plantas são usadas em diversos artigos
de decoração como luminárias,
esculturas, quadros, cortinas e toalhas.
As fibras também
estão presentes nos acessórios. Bolsas,
colares, brincos e pulseiras são valorizados
ainda com outros materiais como sementes, contas étnicas,
couro e prata. A versatilidade rendeu a Mônica
um contrato com o costureiro inglês Eskandar,
e há cinco anos as peças dela também
são encontradas em Dubai, Emirados Árabes,
e na capital francesa, Paris.
“Ao mesmo tempo
que meu trabalho é internacional, ele também
chama atenção pela personalidade e brasilidade.
Não estou interessada em fazer uma bolsinha
como todo mundo faz, porque me interesso por peças
elitizadas, refinadas e, sobretudo, muito bem acabadas.
A qualidade é um fator muito importante”,
avalia.
Idéias
na cabeça
Para transferir o
conhecimento, Mônica desenvolve trabalhos com
diversas comunidades e cooperativas que têm
o artesanato como fonte de renda. “Quero e preciso
ter cada vez mais acesso junto a essas pessoas, que
são maravilhosas e detêm o poder do trabalho.
Procuro ajudar na qualificação, a partir
do que elas vêem, mas dando uma leitura contemporânea
ao produto para que seja mais facilmente aceita pelo
mercado”, afirma.
O ponto de partida
da carreira desta ex-professora de inglês, veio
a partir de um contato com artesãos de Lavras
Novas, quilombo ao lado de Ouro Preto (MG). Observando
a destreza e a habilidade do trançado de cestos,
ela se interessou pela técnica e voltou ao
Rio cheia de materiais e idéias na cabeça.
Os alunos foram os primeiros clientes e com a repercussão
positiva, ela mudou de profissão. O talento
também foi apurado ao estudar teoria da arte
no Museu de Arte Moderna (MAM) no Rio de Janeiro,
no Metropolitan, em Nova Iorque, e no Louvre, em Paris.
“Sempre fui
muito jeitosa, mas é difícil liberar
a criatividade por medo das críticas. Hoje,
sinto muito orgulho daquela época porque fui
muito bem acolhida por pessoas paupérrimas,
mas cheias de dignidade. Estava em uma fase triste
da minha vida e com elas encontrei este caminho que
se transformou no meu trabalho”, avalia.
Fonte:
Agência Sebrae de Notícias - (61) 3348-7138
e 2107-9362 www.agenciasebrae.com.br
Sebrae/RJ - (21) 2212-7971
Ateliê Mônica Carvalho - (21) 2547-9989