Notícia
31/03/09
Bagaço
da uva é usado na produção de
fertilizante
Aproveitamento desse resíduo fez empresa de
paisagismo ampliar nicho de mercado com a fabricação
de novos produtos; para empresário, inovação
é a chave para crescer
Brasília
- A partir do investimento em pesquisa, muitas empresas
já estão aproveitando resíduos
para criar novos produtos. No Rio Grande do Sul, um
negócio que vem crescendo é o aproveitamento
do bagaço da uva para a produção
de substratos e fertilizantes.
A inovação
é da empresa Beifiur, que fica em Garibaldi,
a 110 km da capital Porto Alegre (RS). Tudo começou
em 1993, com a abertura de uma empresa para trabalhar
com projetos de jardinagem. “Percebemos que
na execução dos jardins se ocupava bastante
terra. Essa necessidade de solo levava a atividade
da nossa empresa bem como de toda a cadeia da floricultura
na região a consumir quantidades significativas
de solo extraídas de forma incorreta”,
explica o sócio da Beifiur Valdecir Ferrari.
Por isso, em 1996,
a empresa iniciou uma pesquisa para usar o resíduo
da industrialização da uva na fabricação
de substratos que permitissem o plantio de vegetais
em vasos e outros recipientes, substituindo o uso
do solo. “A indústria vinícola
gera na região uma grande quantidade desses
resíduos que não eram aproveitados e,
com a nossa pequena pesquisa, achamos a saída
que solucionava o problema ambiental deles e o nosso
também”, conta.
Usando as sementes
da uva, casca e parte da polpa e também o cacho
da uva, chamado de engaço, a empresa passou
a desenvolver produtos e a entrar também em
novos mercados como o de produção de
mudas e de compostos orgânicos. Além
dos substratos, também são produzidos
condicionadores, usados para melhorar a estrutura
física e biológica do solo. Esses produtos
ganharam escala em 2001.
Perspectiva
O investimento em
pesquisa e em inovação fez com que a
empresa Beifiur crescesse. E, de acordo com Valdecir,
os planos para o futuro também são grandes.
“Temos um projeto em andamento para implantar
parreirais de produção orgânica,
e a idéia é que a partir de 2013 já
tenhamos instalada uma indústria de sucos orgânicos”,
diz.
O objetivo é
ter o aproveitamento total dos resíduos dessa
produção. Haverá também
o extrato de óleo da semente da uva e a fabricação
de fertilizantes orgânicos. “Nós
queremos ter um complexo pequeno, mas organizado e
com uma visão de sustentabilidade”, conta.
Valdecir é
daqueles que levanta a bandeira da inovação
para ter mais competitividade e se manter no mercado.
“Parte do lucro da empresa, no lugar de ser
distribuída aos sócios, é direcionada
para pesquisa e criação de novos negócios.
Assim fizemos nestes 15 anos de empreendimento e pretendemos
continuar. Queremos usar a nossa capacidade para gerar
oportunidades sustentáveis para a sociedade
e para as pessoas que trabalham em nossos negócios”,
ressalta.
Nem a crise mundial
assusta o empreendedorismo de Valdecir. Segundo ele,
a demanda neste ano está melhor que a de 2008,
e vai investir em embalagens para os produtos e em
uma estruturação comercial visando ao
mercado nacional. “Como estamos bem enxutos
e com produtos inovadores, a crise financeira mundial
deve apenas diminuir a nossa velocidade de crescimento”,
afirma.
Segundo ele é
importante inovar, mas com pés no chão.
“O investimento em inovação sempre
acaba custando bastante, mas é melhor e mais
saudável para a empresa do que fazer poupança.
Porém, é preciso ter o cuidado para
ir na velocidade certa, visualizando mercados futuros
e não superados”.
O assunto será
tema de palestra durante evento interno do Sebrae:
o Seminário Inovação no Agronegócio,
que será realizado em Brasília de 18
a 20 de março.
Fonte:
Agência Sebrae de Notícias - (61) 3348-7138
e 2107-9362 www.agenciasebrae.com.br
Beifiur – (54) 3462-4205 / www.beigrupo.com